Para onde vai o dinheiro que o preso ganha trabalhando?
- Dra. Sandy Freitas

- há 12 horas
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Quando pensamos em pessoas privadas de liberdade, muitas vezes nos perguntamos: o que acontece com o dinheiro que elas ganham ao trabalhar dentro do sistema prisional? Essa questão, que pode parecer simples, carrega uma complexidade que reflete diretamente na dignidade, na reintegração social e no futuro dessas pessoas. Hoje, convido você a refletir comigo sobre esse tema, que toca não apenas o sistema prisional, mas também as famílias e a sociedade como um todo.
O trabalho no sistema prisional: uma realidade que poucos conhecem
O trabalho dentro das prisões é uma prática prevista em lei e que tem como objetivo principal a ressocialização do preso. Mas, afinal, como funciona essa dinâmica? O preso pode exercer atividades como produção de artesanato, serviços de manutenção, agricultura, entre outros. Essas atividades não são apenas ocupações para passar o tempo; elas representam uma chance real de aprendizado, disciplina e, claro, de ganho financeiro.
No entanto, o valor que o preso recebe pelo seu trabalho é, em geral, muito inferior ao salário mínimo vigente. Isso levanta uma questão importante: para onde vai esse dinheiro? Será que ele é realmente destinado ao preso? Ou será que desaparece em meio a burocracias e taxas?

Para onde vai o dinheiro que o preso ganha?
O dinheiro que o preso ganha trabalhando dentro do sistema prisional não é entregue diretamente a ele. Na verdade, ele é depositado em uma conta vinculada ao sistema penitenciário, que funciona como um fundo para o preso. Esse fundo pode ser utilizado para algumas finalidades específicas, como:
Compra de itens de higiene pessoal e alimentação suplementar dentro da unidade prisional;
Pagamento de multas e indenizações decorrentes do processo criminal;
Auxílio financeiro para a família do preso, em alguns casos;
Reserva para quando o preso for liberado, ajudando na sua reinserção social.
Mas nem sempre essa destinação é clara ou justa. Muitas vezes, o preso não tem acesso ao seu próprio dinheiro, ou ele é retido para cobrir custos do sistema, como manutenção da unidade ou pagamento de dívidas judiciais. Isso gera um sentimento de impotência e injustiça, que pode comprometer a motivação para o trabalho e a própria ressocialização.
O impacto do dinheiro do trabalho na vida do preso e da família
Quando o preso consegue ter acesso ao dinheiro que ganha, mesmo que parcialmente, isso pode fazer uma enorme diferença. Imagine a possibilidade de enviar algum valor para a família, ajudando nas despesas básicas, ou de comprar algo que melhore sua qualidade de vida dentro da prisão. São pequenos gestos que carregam um significado profundo.
Por outro lado, a falta desse recurso pode aumentar o sofrimento e a sensação de abandono, tanto do preso quanto de seus familiares. Muitas vezes, a família depende desse dinheiro para sobreviver, especialmente quando o preso era o principal provedor.
Essa realidade nos leva a refletir: como podemos garantir que o trabalho do preso seja valorizado e que o dinheiro gerado seja usado para promover dignidade e esperança?
Direitos e deveres: o que diz a lei sobre o dinheiro do preso?
A legislação brasileira prevê que o preso tem direito a receber pelo trabalho realizado, mas também estabelece regras para a destinação desse dinheiro. Segundo a Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210/1984), o valor deve ser depositado em conta vinculada ao preso, que pode ser movimentada para:
Pagamento de despesas pessoais dentro da prisão;
Quitação de multas e indenizações;
Envio de recursos para a família;
Reserva para o momento da liberdade.
No entanto, a aplicação prática dessas normas varia muito de um estado para outro e de uma unidade prisional para outra. A falta de transparência e de fiscalização pode levar a desvios e injustiças.
Além disso, o preso tem o dever de trabalhar, quando convocado, e o trabalho é considerado parte do processo de ressocialização. Mas será que essa obrigação é cumprida com respeito aos direitos do trabalhador preso?
Como a defesa técnica pode ajudar a garantir os direitos do preso?
Aqui entra um ponto fundamental: a importância de uma defesa técnica e humana durante o processo criminal e a execução penal. Um advogado criminalista comprometido não apenas luta pela liberdade do cliente, mas também pela garantia dos seus direitos dentro do sistema prisional.
É possível, por exemplo, acompanhar se o preso está recebendo o valor correto pelo trabalho, se o dinheiro está sendo utilizado de forma justa e se as condições de trabalho são dignas. Além disso, a defesa pode atuar para que o preso tenha acesso a programas de qualificação profissional, que aumentam suas chances de reinserção social.
A Dra. Sandy Freitas, por exemplo, tem como missão oferecer uma defesa que protege a liberdade e a dignidade, garantindo que o preso e sua família se sintam seguros e compreendidos durante todo o processo.
O que podemos fazer para melhorar essa realidade?
A questão do dinheiro que o preso ganha trabalhando é apenas uma parte de um sistema que precisa ser repensado. Para que o trabalho prisional seja realmente um instrumento de transformação, é necessário:
Transparência: garantir que o preso e sua família saibam exatamente quanto ele ganha e para onde vai esse dinheiro;
Fiscalização: órgãos competentes devem acompanhar a correta destinação dos recursos;
Valorização do trabalho: oferecer remuneração justa e condições dignas;
Apoio à reinserção: usar o dinheiro para preparar o preso para a vida fora da prisão, com cursos e suporte financeiro;
Empatia e respeito: lembrar que, por trás de cada número, existe uma pessoa com direitos e sonhos.
Essas ações não são utopias, mas passos concretos para um sistema mais justo e humano.
Um convite à reflexão e à ação
Ao final dessa reflexão, fica claro que o dinheiro que o preso ganha trabalhando não é apenas uma questão financeira. Ele representa a possibilidade de dignidade, de esperança e de reconstrução de vidas. É um fio que conecta o presente difícil à promessa de um futuro melhor.
Por isso, é fundamental que todos nós, direta ou indiretamente envolvidos, nos perguntemos: como podemos contribuir para que esse dinheiro cumpra seu verdadeiro papel? Como garantir que o trabalho do preso seja valorizado e que ele tenha condições reais de recomeçar?
Se você está enfrentando um processo criminal ou conhece alguém nessa situação, saiba que existe um caminho de defesa técnica e humana. Acompanhe, questione, lute pelos seus direitos. Afinal, a liberdade e a dignidade são direitos que ninguém pode tirar.
Se quiser saber mais sobre direitos e defesa criminal, recomendo visitar o site da Dra. Sandy Freitas, onde você encontrará informações valiosas para se sentir seguro e amparado durante todo o processo.
Espero que este texto tenha ajudado a esclarecer um tema tão importante e que, juntos, possamos construir uma sociedade mais justa e acolhedora.



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